O Zamalek confirmou neste sábado sua vaga na fase de grupos da Liga dos Campeões da África, mas o resultado positivo não foi suficiente para aplacar o descontentamento da torcida com o capitão Ahmed Fattouh. A equipe venceu o Rwanda Army por 1 a 0, no Estádio Internacional do Cairo, pelo jogo de volta das oitavas de final, repetindo o placar da partida de ida e garantindo a classificação com naturalidade.
Apesar do avanço na competição continental, o que chamou atenção ao final do confronto foi a reação da torcida presente nas arquibancadas, que voltou a direcionar cânticos ofensivos ao lateral-esquerdo, visivelmente incomodado com a hostilidade vinda de seu próprio torcedor.
Segunda vez consecutiva sob pressão
Este não foi um episódio isolado. A mesma cena já havia ocorrido na partida anterior do Zamalek, diante do Petrojet, pelo Campeonato Egípcio. Naquela ocasião, assim como agora, os motivos concretos por trás da insatisfação da torcida com Fattouh não foram esclarecidos publicamente, o que alimenta especulações sobre o que estaria por trás da repetição dos protestos contra o jogador, mesmo em momentos de resultados positivos para a equipe.
A persistência dos cânticos em duas partidas seguidas sugere um desgaste que vai além de uma atuação pontual em campo, algo que normalmente está relacionado a fatores internos do vestiário, declarações do atleta ou episódios que não se tornaram de conhecimento público. De qualquer forma, o fato de o capitão da equipe ser alvo recorrente de protestos é um sinal de tensão que o departamento de futebol do clube dificilmente poderá ignorar nos próximos jogos.
Retorno à elite continental após três anos
A classificação tem um peso simbólico importante para o Zamalek. O clube egípcio retorna à fase de grupos da Liga dos Campeões da África depois de três temporadas de ausência, período em que disputou a Copa das Confederações Africana, competição de segundo escalão no continente, na qual conquistou um título e também foi vice-campeão em outra edição.
Voltar à principal competição de clubes da África representa, portanto, um resgate de status para uma das maiores forças históricas do futebol egípcio, tradicionalmente acostumada a disputar espaço no cenário continental com o rival Al Ahly.
Foco dividido com o Campeonato Egípcio
Enquanto celebra o retorno à Liga dos Campeões, o Zamalek também precisa lidar com a disputa do Campeonato Egípcio, onde ocupa atualmente a terceira posição da tabela, com 16 pontos. A equipe está a cinco pontos do líder Pyramids e a apenas um ponto do Al Ahly, segundo colocado, o que mantém a briga pelo topo da tabela em aberto e aumenta a pressão por resultados consistentes nas próximas rodadas.
Nesse cenário de dupla frente competitiva, episódios como os protestos contra Fattouh tendem a ganhar ainda mais repercussão, já que qualquer instabilidade interna pode afetar o desempenho da equipe tanto na briga pelo título nacional quanto na estreia na fase de grupos africana.